Fundada em 2011, a empresa ainda tem de superar obstáculos como o atendimento ao cliente, mas projeta faturamento de R$ 50 milhões em 2021
 (Telite/Divulgação)

Reciclar plástico e transformá-lo em telhas para casas. Essa é a proposta da Telite, empresa fundada em 2011 por Leonardo Retto e que atua no interior do Rio de Janeiro. Hoje, a Telite vende cerca de 25.000 telhas por mês, a um preço médio de 80 reais — em 2017, a quantidade mensal de vendas era de 5.000. Com foco em tecnologia e sustentabilidade, a empresa estima faturar 50 milhões de reais em 2021 — 12 milhões a mais do que no último ano —, por causa de um novo produto: telhas de plástico reciclado, capazes de gerar energia solar.

Mesmo assim, a empresa acredita que será possível vender mais. A chave para isso está na telha com energia solar, que possui grafeno em sua composição. Com o material — fino como carbono —, a empresa conseguiu desenvolver uma telha que é capaz de gerar até 30 KW por mês, considerando uma residência média. De acordo com a empresa, ao utilizar quatro telhas, a casa pode se tornar autossuficiente em produção de energia.

A autossuficiência pode ser um ponto fundamental no Brasil. Além de economizar energia, pode significar a garantia dela — algo que está em xeque diante da emergência hídrica para o período de junho a setembro em cinco estados brasileiros, que levanta até mesmo a hipótese de apagão.

Garantir a energia solar para cada casa deve ter um preço alinhado à média de mercado: o preço de cada telha deve ficar entre 140 e 150 reais. “Hoje, meus concorrentes vendem telhas comuns a esse preço, o que nos torna bastante competitivos, com uma telha leve, capaz de ser transportada para todo o Brasil. Em projetos como o Minha Casa Minha Vida, por exemplo, isso poderia trazer muita eficiência”, diz Leonardo Retto, CEO e fundador da Telite.

De acordo com a empresa, as telhas de plástico reciclado devem ser colocadas à venda ainda em 2021. Para viabilizar o projeto, a empresa aguarda, agora, a certificação do Inmetro (algo que deve ser concluído entre junho e julho, segundo o fundador) e, depois dessa etapa, a ideia é testar a nova telha com pouco mais de cinco clientes a fim de aperfeiçoá-la e identificar possíveis problemas antes de ir ao mercado.

A empresa segue os passos de outras já consolidadas no país, como a Eternit. Em março deste ano, a empresa recebeu certificado do Inmetro para a produção do material e já começou a instalá-lo em quatro cidades: Ourinhos e Marília, no estado de São Paulo; Itaipava, no Rio de Janeiro; e Cambé, no Paraná. Cada telha solar, cujo tamanho é de 36,5 cm por 47,5 cm, tem potência de 9,16 watts, o que se reflete em uma capacidade média mensal de produzir 1,15 Quilowatt-hora (Kwh) por mês.  “Estamos seguindo com sucesso as etapas do plano de desenvolvimento”, afirmou Luís Augusto Barbosa, presidente do Grupo Eternit.

Obstáculos

No caso da Telite, para viabilizar o projeto, a empresa ainda enfrenta alguns obstáculos. O primeiro é encontrar um fornecedor seguro de grafeno, material que vai nas telhas com energia solar. Caso encontre um parceiro, a Telite espera captar de 8 milhões a 9 milhões de reais em uma rodada com investidores para começar a produção em escala das telhas. Caso a empresa tenha de verticalizar o processo, será necessário captar algo em torno de 30 milhões de reais.

“Nossa principal preocupação é garantir uma produção em escala do grafeno. Em nossas conversas com fabricantes desse componente, não encontramos, ainda, algum lugar que possa nos fornecer esse tipo de material em larga escala. Por isso, temos esses dois planos de negócio previstos. A extração do grafeno é muito cara, no Brasil, por isso o valor da captação varia tanto”, diz Leonardo.

Uma matéria feita pela revista Pesquisa Fapesp no último ano mostrou que as duas primeiras plantas industriais de grafeno entraram em operação no último ano. Uma das fábricas pioneiras é resultado de uma parceria entre a Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge), a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e o Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN). E, a outra, é o UCSGraphene, fruto de um projeto do Parque de Ciência, Tecnologia e Inovação da Universidade de Caxias do Sul (TecnoUCS), no Rio Grande do Sul.

Outro obstáculo é o atendimento ao cliente. No Reclame Aqui, portal dedicado a registrar reclamações de consumidores, há pelo menos 65 queixas a respeito da empresa desde 2015 — a maior parte relacionada à falta de entrega dos produtos ou à falta de atendimento em relação aos pedidos feitos. Um antigo cliente informou à EXAME que teve um prejuízo de 1.200 reais e que foi até mesmo ameaçado de processo ao cobrar de forma mais incisiva a entrega dos produtos.

Em resposta, a empresa afirma: “Fabricamos 25 mil telhas por mês , 300 mil por ano. São 10.000 pedidos por ano. Se colocarmos a nível de 5 anos , são 50.000 pedidos para 60 reclamações”.

Fonte e artigo = https://exame.com/pme/telhas-de-plastico-reciclado-com-energia-solar-e-isso-que-a-telite-quer/

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